O ensaio da tragédia que nunca estreia
Preocupar-se parece responsabilidade, até virar prisão. Como a preocupação excessiva rouba o presente e o que fazer com ela.
Tem gente que vive ensaiando tragédias. Antes da reunião, já viveu a demissão. Antes do exame, já viveu o diagnóstico. Quando o fato chega (se chega), a pessoa já sofreu por ele umas dez vezes.
Isso tem nome: ansiedade antecipatória. Sofrer hoje por uma conta que talvez nunca chegue.
Preocupação, em dose certa, protege: é ela que faz a gente olhar pros dois lados antes de atravessar. O problema é quando ela passa a decidir tudo, e o presente vira só uma sala de espera do pior.
Preocupação excessiva costuma ser um hábito emocional com raiz: em ambientes imprevisíveis, em responsabilidades que chegaram cedo demais, em experiências onde relaxar custava caro. Quando ela toma a noite, vira a insônia que não passa com chá.
A boa notícia: hábito emocional se reaprende. Na terapia, a gente investiga de onde vem a vigilância, trata a causa e não só o sintoma, e treina a mente pra voltar pro único lugar onde a vida acontece: o agora.
Como funciona a terapia
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