Lucimary, você venceu
Lucimary, você venceu quando enfrentou os desafios de morar na roça, onde tudo dependia exatamente do seu esforço. Mesmo pequena, aprendeu cedo.
Você venceu quando precisava andar vários quilômetros a pé para poder estudar.
Você venceu quando decidiu que queria estudar e ser alguém diferente. Então escolheu ser professora, e muitos foram ensinados por você.
Lucimary, você venceu quando não desistiu do nosso bairro e lutou pela nossa Igreja.
Lucimary, você venceu quando assumiu a sua casa depois da morte da sua mãe e não deixou sua família sucumbir.
Lucimary, você venceu quando decidiu contribuir na vida de fé das pessoas e, sendo catequista, evangelizou a muitos, inclusive a mim e a meus filhos.
Lucimary, você venceu quando decidiu criar seu filho por você mesma e não desistir de fazer dele o homem que hoje é.
Você venceu quando enfrentou uma segunda gestação de risco para a sua idade e nos deu uma princesa.
Ah, Lucimary... você venceu quando decidiu que queria viver a vida a partir de novas perspectivas e se deparou com um câncer de mama. Mas você não desistiu e foi para a guerra.
Foram quatro anos de combate e desafios, mas você venceu. Nesse tempo, encontrou o verdadeiro amor, incentivou outras pessoas na caminhada e acreditou em meu trabalho como eu mesma nunca acreditei.
Você sempre acreditou que meu potencial poderia fazer diferença na vida de outras pessoas.
Lucimary, você simplesmente venceu quando decidiu construir um novo lar e morar nele com sua família, nem que fosse por um mês.
Como você venceu! E como eu poderei esquecer tudo isso?
Foram muitas conversas que tivemos ao longo desse tempo, regadas a chá e pipoca e muitas risadas.
Você venceu quando reuniu toda sua família e se conectou com cada um.
Você venceu quando o corpo padecia e a alma se fortificava, quando o ar faltava, mas o Espírito Santo pairava sobre sua vida.
Você venceu até o dia 27/09/2026.
Honrarei as promessas feitas em seu leito de não deixar seus filhos desamparados, sobretudo a pequena.
A doença não te venceu.
A vida é breve, e talvez seja justamente quando percebemos isso que entendemos o que realmente importa: aquilo que deixamos na vida das pessoas.
E você deixou muito.
Deixou fé, amor, coragem e ensinamentos.
Como diz a Palavra: “E se o grão de trigo não morrer, ele jamais dará frutos.”
Você partiu, mas deixou frutos.
Obrigada, Lucimary, por nos ensinar a lutar.
Você venceu.
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